18 de out. de 2012

Artificial



...No lugar do intelectual indignado, dilacerado pelas contradições da sociedade capitalista, agravadas nas condições de subdesenvolvimento, passava a predominar o intelectual profissional competente e competitivo no mercado das ideias, centrado na carreira e no próprio bem-estar individual. Ia-se estabelecendo o protótipo contemporâneo, egocêntrico, desvinculado de compromissos sociais, a não ser que eles signifiquem avanço em suas carreiras profissionais individuais, como as dos inúmeros professores que já foram críticos da ordem capitalista a ocupar cargos públicos em governos que adotam medidas neoliberais. Atuam como técnicos a serviço do funcionamento saudável da ordem estabelecida, sem maiores dramas de consciência, talvez se agarrando ainda à ideologia de que estão no poder para o bem do povo...

...Mas nem por isso seria adequado conformar-se com o presente de burocratização inofensiva das atividades intelectuais e artísticas...

...A profissionalização da vida intelectual nos limites do campus universitário conduziria à privatização ou à despolitização, à transferência da energia intelectual de um domínio mais amplo para uma disciplina mais restrita, em que as pressões da carreira e da publicação intensificariam a fragmentação do conhecimento...

...Parece que seria possível encontrar alternativas melhores de inserção da sociedade brasileira e de sua cultura no mundo de hoje do que o ceticismo passivo, de submissão à nova ordem mundial...

...Por que não inventar uma contra-hegemonia para os novos tempos, alternativa à hegemonia neoliberal e à atomização reificada da sociedade do espetáculo? Utopia irrealizável? Talvez não. 
...Indícios sinalizam que a roda-viva da história não para para sempre na posição mais confortável para os donos do poder. O Sistema nem sempre foi capitalista e a única certeza é que ele vai morrer.

cf. Marcelo Ridenti 









Lá fora, amor, uma rosa morreu, uma festa acabou, nosso barco partiu.

Eu bem que mostrei a ela, o tempo passou na janela e só Carolina não viu.
      - Carolina, Chico Buarque ♪











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