E mais uma vez, O Céu.
Molecão. Gostava mesmo era de aprontar. De sair correndo com a molecada pra brincar no Paranapanema, de jogar bola na sete vórta, de sair correndo pelado pelo mato, fazendo da tampa da panela o volante do seu trator. Era sonhador.
Trabalhava na lavoura de café dos Japoneses, como seus pais sempre fizeram.
Até que, num dia quente de colheita, depois de terminar uma carreira toda, sentou pra almoçar sua marmita de muito arroz com feijão e pouco ovo, quase tudo já azedo pelo muito tempo de exposto ao sol.
Depois de reposta a energia perdida do garotão alto e magrelo, resolveu se acomodar para a sesta, embaixo de um pé de café, e dali se deparou com o céu, azul de poucas nuvens. Sempre o mesmo céu. E num ímpeto se resolveu.
Não queria viver o mesmo destino que os pais, que passaram a vida toda naqueles campos, e que agora já velhos, ainda se encontravam no mesmo lugar. Lembrou do tio que morava em São Paulo. Levantou, pediu a conta, e partiu no mesmo dia. Sem levar nada, pois não possuía nada além de um bom coração cheio de sonhos e um pedaço de papel com um endereço. Partiu. Deixou aquele céu, os seus, e o seu sertão. Não olhava para trás, e à sua frente, só havia um mundo inteiro de incertezas.
Continua...
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